Por que se aventurar na Amazônia Paraense

O Viageria mergulhou na amazônia junto com O Brasil Com S, um projeto de pesquisa e curadoria para estimular o autoconhecimento do Brasil, feito por Ana Luiza Pereira e Mayra FonsecaViageria representado por mim e O Brasil Com S pela Mayra, pesquisadora apaixonada pela diversidade cultural brasileira.

Nunca me esqueci de um trabalho de escola que fiz aos onze anos de idade, sobre a importância da floresta amazônica, ilustrado com imagens feitas por Araquém Alcântara, um dos maiores fotógrafos brasileiros, que sempre apresentou a diversidade cultural e ecológica da amazônia de forma brilhante. Uma das imagens, que mostrava o sol se escondendo no horizonte da floresta, passou anos e anos colada na porta do meu armário, quando eu morava com meus pais. Reuno aqui alguns motivos para você fazer da amazônia paraense um destino obrigatório numa de suas próximas férias, e o primeiro deles é justamente o por do sol outrora fixado que na porta do meu armário.

O entardecer

O entardecer é inesquecível todos os dias. Prepare-se para pintar o álbum da viagem de tons alaranjados. Mas experimente esquecer um pouco as fotos e ficar só contemplando. Vale a pena! Logo no primeiro dia, minha dúvida era se o que estava acontecendo no céu era comum por ali ou havia algo de especial naquele dia. Com o passar dos dias, entendi que o por do sol na amazônia é magnífico sempre.

O garoto brinca na canoa do pai, em uma das margens do Rio arapiuns, na comunidade de Urucureá.

O garoto brinca na canoa do pai em uma das margens do Rio Arapiuns, na comunidade de Urucureá.

As pessoas

Converse. As pessoas dali têm muito a ensinar sobre viver. Gente que sai para caçar a própria janta, que não dorme sem dar um mergulho no Tapajós, que cuida do barco como quem cuida de uma joia, que sonha ter telhas de barro em casa, que tem como quintal um pedaço da floresta, que cura doença com plantas, que não tem vontade nenhuma de ir embora dali. Nas comunidades ribeirinhas, como Urucureá, Anã, Jamaraquá, Maripá entre muitas outras é fácil encontrar gente simpática e rede pra dormir. Pousada pra quê? Ah! E depois de aprender com eles uma boa posição para dormir na rede, você não vai mais querer saber de cama. Pelo menos até o fim da viagem!

Mayra conversa com dona Rosângela, moradora da reserva do Jari.

Mayra conversa com dona Rosângela, moradora da reserva do Jari.

As praias

A combinação do rio com a floresta cria praias exuberantes, que duram alguns meses por ano. Na região de Alter do Chão, as praias começam a surgir entre Julho e Agosto, tendo seu auge em Outubro. Em Janeiro, as chuvas voltam a cair com mais força e os rios começam a se encher novamente, transformando a paisagem.

A publicação inglesa  The Guardian elegeu a praia de Alter como a mais bonita do Brasil e uma das mais bonitas do mundo, desbancando até Fernando de Noronha na lista. É pouco? Sim. Não é só a praia de Alter, chamada Praia do Amor que merece esse título. Várias praias dos rios Arapiuns, Amazonas e Tapajós, como a deserta Ponta do Cururu e a praia do Pindobal, merecem todos os títulos de praias mais bonitas do mundo.

Ponta do Cururu no mês de agosto. Em outubro, a faixa de areia é mais extensa.

Praias da região de Alter: em agosto, a praia ainda é “curta” como nesta foto. Em outubro, a faixa de areia é mais extensa.

Na Ponta do Cururu, silêncio absoluto até que o ruído forte dos macacos Guariba ecoassem da Floresta.

Na Ponta do Cururu, silêncio absoluto até que o ruído forte dos macacos Guariba ecoaram da Floresta.

 

A gastronomia paraense

A gastronomia paraense tem sabores extremamente originais, como o Tucupi, líquido extraído da raiz da mandioca; o Jambu, uma planta que faz a língua tremer, conhecida por ser um elemento único e inigualável na gastronomia mundial; os azeites de palmeiras amazônicas, como patauá, pupunha e buriti; os saborosíssimos peixes dos rios amazônicos, como pirarucu e tucunaré e vários outros elementos. Com tantos ingredientes únicos, surgiram pratos típicos singulares, como Pato no Tucupi, Tacacá, Caruru, Maniçoba e o Vatapá paraense.

Charutinho frito de um lado, vatapá paraense com jambu, do outro.

Charutinho frito de um lado, vatapá paraense com jambu, do outro.

Na foto da esquerda, Charutinhos fritos. Todo mês de Novembro tem o Festival do Charutinho em Ponta de Pedras, comunidade que tem uma praia linda, perto de Santarém e Alter do Chão.

Na foto da direita, o vatapá da Portinha, um lugar perfeito para provar os sabores paraenses em Belém. É literalmente uma portinha, as pessoas se acomodam como podem para comer, na rua e na calçada. Uma ótima experiência gastronômica em que o conforto é coadjuvante.

Agradecimento especial à Adhara Luz, da AMZ Projects. Ela cresceu na região e nos deu as melhores dicas e contatos para uma imersão perfeita na região do Tapajós-Arapiuns. Vale a pena conhecer os projetos da Adhara!

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