Com vocês, Jordânia.

Apesar de estar localizada no centro da região mais tensa do mundo (entre os vizinhos estão Síria e Iraque), a Jordânia não se envolve muito nos conflitos locais. Quando li alguns posts sobre este país incrível no blog do Gabriel, um dos blogs de viagem que eu mais gosto de acompanhar, achei uma boa ideia incluir a Jordânia no roteiro da viagem pelo Oriente Médio. Coincidentemente, alguns dias depois, conheci um jordaniano em São Paulo, que me deu um monte de dicas e mapas do seu país. Foi aí que eu me empolguei de vez!

Al Deir, Petra.

Al Deir, Petra.

O Roteiro

Sobre os lugares que passaríamos, tínhamos três certezas: Mar Morto, Petra e Wadi Rum. O roteiro de 7 dias se desenrolou naturalmente ao longo da viagem e além desses lugares, passamos também por Amman, capital do país e Aqaba, no Mar Vermelho. Assumimos o risco de embarcar sem reservas feitas, apesar de termos feito uma pré-seleção de hotéis para cada lugar. Durante a viagem, na medida em que sabíamos onde seria o “dia seguinte”, fomos fazendo as reservas. E foi aí que descobri que fazer uma reserva de última hora pode ser bem vantajoso. Chegamos a pagar metade da diária em promoções no Booking.com – mas acredito que isso seja estratégia dos hotéis e não do site, então se você usa outro site para reservar hotéis, faça o teste! É claro que isso não funcionaria em uma viagem para um grande destino turístico, onde os hotéis lotam. Mas se tratando da Jordânia, funcionou muito bem.

Citadel, ruínas no centro da cidade de Amman.

Citadel, ruínas no centro da cidade de Amman.

Mar Morto

Mar Morto, da Jordânia. Israel no horizonte.

Wadi Musa

Wadi Musa (Petra) e suas formações rochosas cinematográficas.

Wadi Rum

Wadi Rum

Simpatia

Fomos muito bem recebidos pelos jordanianos em todos os lugares que passamos. É um povo cordial e sorridente. Em alguns momentos, chegamos a ficar sem graça com tanta gentileza. O dono do hotel em que nos hospedamos em Petra, por exemplo, chegou a nos levar para um passeio.

Família em Petra

Esta jordaniana pediu para ser fotografada com os filhos em Petra

Família Real Popular

Num restaurante em Petra, um documentário sobre as aventuras do Rei Abdullah pelos principais destinos da Jordânia tinha seu DVD repetido ininterruptamente. A imagem “vendida” é a de um Rei moderno e aventureiro, indiscutivelmente popular. Viciado em Star Trek (Jornada nas estrelas), ele já até fez participação num episódio da série e prometeu investir milhões em um parque temático de Star Trek em pleno deserto jordaniano – e a paisagem ajuda! Ele é casado com Rania, uma Rainha igualmente popular e referência para as jordanianas quando o assunto é moda. Como toda rainha que se preze, ela atua em diversos programas humanitários.

O Rei

O Rei na parede, como deve ser.

Todos os estabelecimentos tem uma fotografia do Rei Abdullah adornada na parede. Isso chamou minha atenção e procurei saber se o povo realmente admira o Rei. Taxistas, comerciantes e proprietário de hotel, todos que perguntei manifestaram gostar da família Real. É claro que não deve ser unanimidade. Apesar de ter escapado dos grandes protestos da Primavera Árabe, um grupo faz manifestações quase semanais contra o governo no centro de Amman. O descontentamento geralmente não é ligado diretamente à realeza e sim aos ministros do governo. O Rei aprendeu com a história dos seus vizinhos e para contornar a situação vem promovendo diversas trocas de ministros desde o início dos protestos.

Petra

Petra

Fronteiras e caminhos

Antes de embarcar, procurei entender principalmente como seria atravessar a fronteira por terra, pois estaríamos em Israel. De Jerusalem, atravessamos cerca de 50km Palestina adentro, até chegar na fronteira Allenby/King Hussein bridge, próximo à cidade de Jericó. Na fronteira, o processo demora muito. É preciso passar pela segurança extrema e infelizmente necessária para sair de Israel, depois embarcar num ônibus que leva ao lado jordaniano. Neste ônibus recolhem-se todos os passaportes, e você só vê seu documento de novo depois que passa pelo processo de segurança para entrar na Jordânia, que é bem mais simples que em Israel. Após a liberação dos passaportes, motoristas autônomos e taxistas podem te levar para qualquer lugar do país e também existe a opção de alugar carro ou pegar um ônibus para Amman. Taxi na Jordânia é muito barato, considere viajar assim e evitar preocupações 😉

Da estrada, uma árvore.

Da estrada, uma árvore, um retrato.

Ao todo, o trajeto Jerusalém -> Amman demorou quase 5 horas. Bem demorado, tendo em conta que a distância entre as duas cidades é de apenas 95km. Até rápido, levando em consideração que estamos no Oriente Médio, e a travessia envolveu um país judeu, um país não reconhecido oficialmente (palestina) e outro país muçulmano. Interessantíssimo e perturbador passar por uma terra tão conflituosa, ver de perto as pessoas que vivem ali, conversar com elas, e ver o muro erguido por Israel para separar o território palestino.

A estrada

A estrada calma.

Viageria